quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Educação inclusiva

O movimento  mundial  pela  inclusão  é  uma  ação  política,  cultural,  social e  pedagógica,  desencadeada  em  defesa  do  direito  de  todos  os  alunos  de estarem  juntos,  aprendendo  e  participando,  sem  nenhum  tipo  de  discriminação.  A  educação  inclusiva  constitui  um  paradigma  educacional  fundamentado  na  concepção  de  direitos  humanos,  que  conjuga  igualdade  e diferença  como  valores  indissociáveis,  e  que  avança  em  relação  à  ideia  de equidade  formal  ao  contextualizar  as  circunstâncias  históricas  da  produção da  exclusão  dentro  e  fora  da  escola. Ao  reconhecer  que  as  dificuldades  enfrentadas  nos  sistemas  de  ensino evidenciam  a  necessidade  de  confrontar  as  práticas  discriminatórias  e  criar alternativas  para  superá-las,  a  educação  inclusiva  assume  espaço  central no  debate  acerca  da  sociedade  contemporânea  e  do  papel  da  escola  na superação  da  lógica  da  exclusão.  A  partir  dos  referenciais  para  a  construção  de  sistemas  educacionais  inclusivos,  a  organização  de  escolas  e classes  especiais  passa  a  ser  repensada,  implicando  uma  mudança  estrutural  e  cultural  da  escola  para  que  todos  os  alunos  tenham  suas  especificidades  atendidas. Nesta  perspectiva,  o  Ministério  da  Educação/Secretaria  de  Educação Especial  apresenta  a  Política  Nacional  de  Educação  Especial  na  Perspectiva  da  Educação  Inclusiva,  que  acompanha  os  avanços  do  conhecimento  e das  lutas  sociais,  visando  constituir  políticas  públicas  promotoras  de  uma educação de qualidade para todos os alunos.
A  escola  historicamente  se  caracterizou  pela  visão  da  educação  que delimita  a  escolarização  como  privilégio  de  um  grupo,  uma  exclusão  que  foi legitimada  nas  políticas  e  práticas  educacionais  reprodutoras  da  ordem social.  A  partir  do  processo  de  democratização  da  educação  se  evidencia  o paradoxo  inclusão/exclusão,  quando  os  sistemas  de  ensino  universalizam  o acesso,  mas  continuam  excluindo  indivíduos  e  grupos  considerados  fora dos  padrões  homogeneizadores  da  escola.  Assim,  sob  formas  distintas,  a exclusão  tem  apresentado  características  comuns  nos  processos  de  segregação  e  integração  que  pressupõem  a  seleção,  naturalizando  o  fracasso escolar.   A  partir  da  visão  dos  direitos  humanos  e  do  conceito  de  cidadania  fundamentado  no  reconhecimento  das  diferenças  e  na  participação  dos  sujeitos,  decorre  uma  identificação  dos  mecanismos  e  processos  de  hierarquização  que  operam  na  regulação  e  produção  das  desigualdades.  Essa problematização  explicita  os  processos  normativos  de  distinção  dos  alunos em  razão  de  características  intelectuais,  físicas,  culturais,  sociais  e  linguísticas,  entre  outras,  estruturantes  do  modelo  tradicional  de  educação  escolar.   A  educação  especial  se  organizou  tradicionalmente  como  atendimento educacional  especializado  substitutivo  ao  ensino  comum,  evidenciando diferentes  compreensões,  terminologias  e  modalidades  que  levaram  a criação  de  instituições  especializadas,  escolas  especiais  e  classes  especiais.  Essa  organização,  fundamentada  no  conceito  de  normalidade/anormalidade,  determina  formas  de  atendimento  clínico  terapêuticos fortemente  ancorados  nos  testes  psicométricos  que  definem,  por  meio  de diagnósticos,  as  práticas  escolares  para  os  alunos  com  deficiência. No  Brasil,  o  atendimento  às  pessoas  com  deficiência  teve  início  na época  do  Império  com  a  criação  de  duas  instituições:  o  Imperial  Instituto dos  Meninos  Cegos,  em  1854,  atual  Instituto  Benjamin  Constant  –  IBC,  e  o Instituto  dos  Surdos  Mudos,  em  1857,  atual  Instituto  Nacional  da  Educação dos  Surdos  –  INES,  ambos  no  Rio  de  Janeiro.    No  início  do  século  XX  é fundado  o  Instituto  Pestalozzi  -  1926,  instituição  especializada  no  atendimento  às  pessoas  com  deficiência  mental;  em  1954  é  fundada  a  primeira Associação  de  Pais  e  Amigos  dos  Excepcionais  –  APAE  e;  em  1945,  é criado  o  primeiro  atendimento  educacional  especializado  às  pessoas  com superdotação  na  Sociedade  Pestalozzi,  por  Helena  Antipoff. Em  1961,  o  atendimento  educacional  às  pessoas  com  deficiência  passa  ser  fundamentado  pelas  disposições  da  Lei  de  Diretrizes  e  Bases  da Educação  Nacional,  Lei  nº.  4.024/61,  que  aponta  o  direito  dos  “excepcionais”  à  educação,  preferencialmente  dentro  do  sistema  geral  de  ensino. A  Lei  nº.  5.692/71,  que  altera  a  LDBEN  de  1961,  ao  definir  ‘tratamento especial’  para  os  alunos  com  “deficiências  físicas,  mentais,  os  que  se encontrem  em  atraso  considerável  quanto  à  idade  regular  de  matrícula  e  os superdotados”,  não  promove  a  organização  de  um  sistema  de  ensino  capaz de  atender  as  necessidades  educacionais  especiais  e  acaba  reforçando  o encaminhamento  dos  alunos  para  as  classes  e  escolas  especiais. Em  1973,  é  criado  no  MEC,  o  Centro  Nacional  de  Educação  Especial  – CENESP,  responsável  pela  gerência  da  educação  especial  no  Brasil,  que, sob  a  égide  integracionista,  impulsionou  ações  educacionais  voltadas  às pessoas  com  deficiência  e  às  pessoas  com  superdotação;  ainda  configuradas  por  campanhas  assistenciais  e  ações  isoladas  do  Estado.  

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